sábado, 30 de abril de 2016
Análise do Conto: “O CONTRATO”, de Machado de Assis
No conto “O Contrato” de Machado de Assis o narrador começa com um alerta ao leitor de que se for fazer qualquer tipo de contrato, principalmente se for envolver sua vida particular, análise bem as condições, seus próprios limites e finalmente todas as probabilidades.
Toda a narrativa é objetiva, aliás o próprio narrador declara que contará a história em apenas “três folhas de almaço”, ele faz descrições e adjetivações objetivas das personagens principais.
Com línguagem culta e direta e direta o narrador conta a história de duas jovens, Josefa e Laura, que ao se conhecerem no colégio, ainda na adolescencia, criam um laço de amizade muito forte e com isso decidem fazer um acordo de que as duas se casariam juntas, no mesmo dia e na mesma igreja. Mas o que era uma conversa de criança as duas levaram como se tivessem realmente feito um contrato debaixo das leis humanas ou até mesmo das divina.
Enquanto são jovens Laura e Josefa não veem problema no fato de uma ter que esperar a outra para poder se casar, mas com o passar do tempo as duas perceberam que cumprir aquele acordo talvez não seja tão facíl.
Josefa e Laura eram muito amigas e sempre andavam juntas, uma contava sempre para a outra sobre suas paqueras. Um dia Josefa se descobre apaixonada, como diz o narrador, por um dos bigodes que andava paquerando.
Após alguns meses que Josefa encontra seu pretendente e já sendo precionada pelo mesmo, pois o bigode queria pedir a sua mão e não entendia o porquê de ter que esperar, ela intimou Laura a se apressar em conhecer alguém. Então Laura, já frustada com os contratempos da vida, apressa-se. Agora para ela buscar um amor verdadeiro não é mais uma opção, o que precisa agora é encontrar alguém que ao menos pareça ser um bom marido.
Ao final Josefa cansa-se de esperar a sua amiga, para ela parecia que Laura estava levando aquela história como uma brincadreira, esfriou-se com Laura e finalmente percebeu que o contrato não passava de um sonho, planos de crianças e casou-se sem a amiga.
Neste conto Machado expõe como nós podemos acabar levando determinadas ideias a ferro e fogo sem ao menos racionalizar. Também coloca em questão o fato de acharmos que temos o futuro em nossas mãos e nos esquecemos de que quando planejamos algo precisamos estar cientes de que a vida é uma montanha Russa e não como nos contos de fada em que sabemos qual será o final.
Machado vai nos mostrar com Josefa que podemos ser ignorantes ao se deixar perder uma amizade de anos por não saber lidar com as situações e individualistas, pois quando o problema esta nos afligindo o outro precisa entender, porém quando a história é ao contrario temos muitas desculpas para nos justificar.
Para descrever os pretendentes Machado usa apenas uma caracteristica marcante do personagem, sem dar nomes. No inicio o conto tem como espaço fisíco o colégio onde as duas amigas estudam. Após os dezoito anos subentende-se que ora estão na casa de uma das duas ora em quaquer outro lugar. As duas amigas são de famílias ricas, filhas de funcionários públicos e têm um padrinho que lhes deixou um certo legado.
O tempo no conto é psicológico, entretanto segue uma ordem cronológica porque ele vai contar desde a adolescência até a maior idade das duas amigas.
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